Credcesta, ligado ao Master, ficou habilitado por 3 anos no governo Tarcísio e movimentava R$ 25 milhões por mês, diz governador

  • 04/09/2026
(Foto: Reprodução)
Governador Tarcísio de Freitas cumpre agenda com Flávio Bolsonaro no interior de SP Caiuá Maia/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas A PKL One, responsável pelo Credcesta, ligado ao Banco Master, movimentava R$ 25 milhões em empréstimos consignados de servidores públicos do estado de São Paulo por mês e permaneceu habilitada no sistema por mais de três anos do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo documentos oficiais e informações dadas pelo próprio governador. A empresa foi credenciada em 2022, antes de Tarcísio assumir o Palácio dos Bandeirantes, mas passou por dois ciclos de recadastramento durante a atual gestão. Seu código de desconto só foi suspenso em fevereiro de 2026, três meses após a prisão de Vorcaro. Caderno Executivo, Atos Normativos, quinta-feira, 19 de março de 2026 Reprodução Nesta sexta-feira (4), Tarcísio afirmou que os R$ 25 milhões representavam 3% ou 4% da operação de consignados do estado. Segundo ele, o Banco do Brasil, líder desse mercado entre os servidores estaduais, concentra quase 52%. Tarcísio nega qualquer favorecimento e afirma que o credenciamento das instituições não depende da vontade do governador. Fabiano Campos Zettel, cunhado do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo em 2022. “É absurdo, é ridículo você dizer: ‘Vamos pegar uma doação oficial para beneficiar uma empresa que já está credenciada’. Isso não depende da vontade do governante”, afirmou. O governador também ressaltou que o estado não contrata as instituições que oferecem o consignado. Segundo ele, são os próprios servidores que escolhem entre as empresas habilitadas. “São 217 empresas oferecendo esse serviço em São Paulo. [...] O servidor tem lá um rol, pega aquela situação que mais apresenta vantagem e vai lá e contrata”, disse. Empresa chegou a 5% dos consignados, diz Tarcísio Na quinta-feira (3), Tarcísio havia afirmado que a PKL representava cerca de 3% dos consignados do estado. Questionado nesta sexta sobre quanto isso representava, o governador informou que a operação era de R$ 25 milhões por mês. Segundo ele, a participação da empresa já chegou a 5%. “Essa empresa já operou 5% aqui no Estado, depois essa participação foi caindo”, afirmou. Tarcísio disse ainda que não faria pessoalmente um consignado com a PKL. “Eu já fiz consignado várias vezes. Já fiz consignado no Banco do Brasil. Já fiz consignado na Caixa. Não faria na PKL, que eu não conheço, não me passaria confiança, mas tem gente que faz, que às vezes o juro está mais barato.” PKL entrou antes de Tarcísio, mas passou por recadastramentos na atual gestão Tarcísio ressaltou que a PKL foi credenciada em 2022, antes de ele assumir o governo. “Quando é que foi a habilitação da empresa? Em 2022, eu não era governador”, afirmou. Embora tenha entrado no sistema antes da posse de Tarcísio, a empresa precisou participar dos procedimentos periódicos de recadastramento durante a atual gestão. Em julho de 2023, o Departamento de Despesa de Pessoal publicou comunicado determinando que as entidades consignatárias credenciadas deveriam fazer seu recadastramento conforme cronograma oficial. A PKL estava prevista para novembro de 2023. Quando o governo paulista publicou, em dezembro de 2024, o novo cronograma de recadastramento das consignatárias e incluiu a PKL One entre as empresas credenciadas, as investigações que mais tarde atingiriam o Banco Master já haviam começado. Naquele momento, porém, a apuração ainda não havia se tornado pública. Pelas normas estaduais, empresas que deixam de se recadastrar, não apresentam a documentação necessária ou deixam de atender às condições exigidas para sua habilitação ficam sujeitas a penalidades. Antônio Carlos Freixo admite ter feito R$1,3 bilhão em transações a pedido de Vorcaro Servidores municipais reclamavam do Credcesta desde 2023 Enquanto a empresa permanecia habilitada no governo estadual, o Credcesta já era alvo de reclamações de servidores da Prefeitura de São Paulo. Em abril de 2023, a AproFEM, sindicato de professores e funcionários municipais, encaminhou à Secretaria Municipal de Gestão um ofício relatando "inúmeras denúncias" de filiados sobre supostas irregularidades na prestação do serviço. A entidade já havia questionado a Prefeitura, em setembro de 2022, sobre a operação do cartão benefício consignado. Segundo a AproFEM, apesar de a Prefeitura ter criado uma margem adicional de 10% do salário para cartão de benefício ou cartão de crédito consignado, inicialmente apenas o Banco Master havia sido autorizado a operar nessa modalidade. O sindicato pediu a abertura do serviço a outras instituições que cumprissem os requisitos. Após as reclamações, a Secretaria Municipal de Gestão pediu esclarecimentos à PKL One, que respondeu ao município em junho de 2023. A Prefeitura afirma que outras instituições foram posteriormente credenciadas para prestar o serviço. As reclamações eram referentes à operação municipal. Não há indicação de que as denúncias apresentadas por esses servidores tenham sido encaminhadas ao governo estadual. Tarcísio diz que novos contratos foram interrompidos O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O código de desconto utilizado pela PKL no governo paulista foi suspenso com efeitos a partir de 19 de fevereiro de 2026, três meses após a liquidação do banco. Questionado nesta sexta sobre o intervalo, Tarcísio afirmou que o estado retirou a empresa do sistema “assim que ela foi descredenciada pelo Banco Central”. “Quando essa empresa teve o problema com o Banco Central e o Banco Master acabou sendo liquidado, ela teve o descredenciamento, que aí ela não poderia operar”, disse. Segundo o governador, a medida impediu a realização de novos contratos, mas não interrompeu os descontos referentes a operações contratadas anteriormente. “Os contratos que ela mantém são válidos, porque precisam ser cumpridos, precisam ser honrados, mas ela não contrata mais nada novo a partir daí.” Tarcísio afirmou que uma empresa pode ser retirada do sistema quando há fraude ou liquidação e voltou a negar qualquer ingerência do governo na escolha das consignatárias pelos servidores. Veja a cronologia Maio de 2022 — Governo Rodrigo Garcia credencia a PKL One para operar cartão de benefício consignado para servidores estaduais. Janeiro de 2023 — Tarcísio assume o governo. A PKL permanece habilitada. Abril de 2023 — Sindicato relata à Prefeitura de São Paulo "inúmeras denúncias" de servidores municipais sobre supostas irregularidades envolvendo o Credcesta. Novembro de 2023 — PKL é incluída no primeiro recadastramento periódico durante o governo Tarcísio. Maio de 2025 — PKL é novamente incluída no cronograma de recadastramento das consignatárias estaduais. 18 de novembro de 2025 — Vorcaro é preso pela PF e o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master. 19 de fevereiro de 2026 — Passa a valer a suspensão do código de desconto da PKL no sistema estadual. 19 de março de 2026 — Governo publica o despacho que determina a suspensão.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/04/credcesta-ligado-ao-master-ficou-habilitado-por-3-anos-no-governo-tarcisio-e-movimentava-r-25-milhoes-por-mes-diz-governador.ghtml


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